As uvas
à
mercê da terra e das mãos,
indefesas perante a vontade,
arrastadas para o lagar
e esmagadas sob os pés,
humilhadas até à transformação.
Uma vida inteira
para acabarem numa outra coisa.
Morrem,
o cheiro e a cor dos cadáveres
tomam o lugar das casas,
invadem o linho das mesas,
os lábios das famílias.
E por vezes vingam-se,
revelando a natureza
dos homens.
(Inédito)